É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
(Presença - Mário Quintana)
sábado, 16 de fevereiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
Provavelmente,
Noites mal dormidas, nunca eram resultados de boas coisas. Ainda tinha medo dos monstros embaixo da cama ou dentro do guarda-roupas. Provavelmente todos aqueles medos que tinha eram somas do passado, problemas mal resolvidos, portas entre-abertas. Dentre tantas as escolhas, cuidou tanto para que não fizesse a pior e acabou fazendo, ela acabou com tudo em questão de segundos, acabando com mais um sonho: o de fazer o que é certo. Nunca pensou que fosse se importar em ver ele sair por aquela porta, mas confessou ao seu diário que isso lhe afligiu. Teve vontade de chorar, de correr, de fugir, de fechar os olhos. Diante de todo aquele tumulto, nada disso conseguiu fazer, esqueceu-se até de olhar para trás, pois ela provavelmente não se importa mais.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Verão, carinho e coração.
Haviam tantos quadros expostos naquela sala, mostravam toda a vida mísera que levara até aquele dia cinzento. Porém, havia na sala ao lado quadros tão coloridos que nem pareciam ser seus, com cores tão vivas que nem pareciam pertencer a sua paleta. Tantos sorrisos, tanta paixão naquelas molduras. Desde quando aquele sorriso era seu? Lembrou-se de alguém chegando, camisa branca, calça jeans, um tênis bonito e um sorriso esplêndido. Foi assim, dessa forma calma e tão perturbadora que ele tinha ganhado o coração daquela menina. Fazia dela carinho e dele coração. Se ainda não sabia ainda o que fazer, descobriu no momento em que viu aqueles quadros. Sabia agora para onde e com quem ir, o verão tinha chegado.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Sobras
Tanta poeira em nossos sapatos, se acumulando cada dia mais, nossos pés se esconderam debaixo de tanto pó. Nos prendemos a essa condição, nos acomodamos em viver assim, um passo mais largo parecia ousado, um abraço mais apertado parecia pecado. Acontece que para nós tempo sempre foi de sobra, assim como sempre sobraram tantos espaços vazios, ainda sobram tantas dúvidas. Sobras de bons momentos que vivemos, passaram e acabaram. Alguns tons desbotam, uns permanecem os mesmos, outros só ficam mais vivos. Ainda não descobri qual é a nossa cor, mas temos tanto o que descobrir, que já não tenho pressa.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Ah! se eu pudesse voltar
Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte: "O que será do nosso amor?"
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto: "O que será do nosso amor?"
Ah! se eu pudesse voltar atrás
Ah! se eu pudesse voltar
[Mapa-Múndi - Thiago Pethit]
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte: "O que será do nosso amor?"
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto: "O que será do nosso amor?"
Ah! se eu pudesse voltar atrás
Ah! se eu pudesse voltar
[Mapa-Múndi - Thiago Pethit]
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O mundo dos solteiros é maluquíssimo.
O sujeito ou a garota que havia uma semana professava joelhadas de
devoção a uma vida sem amarras amorosas, uma vida eterna de solteirice e
esbórnia, pode ter simplesmente se apaixonado nesse intervalo. Pode ter
conhecido alguém. Sei lá. Tudo é possível a cada fim de semana que
passa, a cada sexta à noite, a cada boite, a cada trombada que a gente
dá.
Texto extraído da coluna Fale com Ele.
Texto extraído da coluna Fale com Ele.
sábado, 17 de novembro de 2012
No apagar das luzes.
É preciso calma, paciência. É preciso que as luzes se apaguem e que os joelhos se dobrem, que os ouvidos se inclinem, que a Tua vontade seja feita.
Sinceridade ao entregar tudo o que é meu, o que é seu. Deus não quer sua manhã ou a hora do dia que você fala com ele, Ele te quer em tempo integral e para sempre. Isso deveria nos embaraçar, envergonhar, intimidar. Será que chegamos a este ponto?
Eu sei que não sou ninguém para falar disso, dessa forma. Mas diante de Deus, quem é algo ou alguém?
É preciso juntar os pedaços, aqueles bem pequenos, miúdos e quase invisíveis que restaram de nós, juntar a tristeza, regenerar. Sentir o abraço, aperto, afago e o amor. Perceber que não estou só.
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