quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Mais uma vez tive um grito abafado. Foi como se tudo tivesse se calado, como se o silêncio me compreende-se e me dissesse que aquele era o meu momento de ficar calada, a sós na minha cabeça. Que dentro de mim qualquer fio de esperança apagava-se naquele momento. As minhas mãos e pernas tremiam como se eu fosse um terremoto, meus olhos procuravam incansavelmente por algo que eu não tinha mais chance de achar. Eu não sei o que fazer, eu não sei como devo fazer. Tudo tem o seu tempo? Certo.. eu só cansei de esperar.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
brecha
...eu sempre acho que você será capaz de resolver aquilo que eu deixei pendente. Você pode pelo menos não bater a porta? Eu amo os seus tênis.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Memorian Immemoratus
Eu saí da cama, deixei teu lado arrumado
Eu saí do quarto, deixei a luz acesa
Eu saí da cozinha, deixei tua xícara na mesa
Eu saí de casa, deixei a chave na porta
Não foi a esperança de te ver voltando que me fez deixar o que era teu na forma que você mais gostava. Foi a memória que não me deixa lembrar o momento em que você tenha partido. Eu sequer consigo lembrar se você viveu comigo. Se algum dia a memória me recordar esse momento, não posso deixar de anotar.
Outro dia eu abri a janela e junto com o vento forte um pássaro resolveu entrar e vir morar comigo. Ele era tão frágil que tive medo de quebrar seus ossinhos com a força do amor que sentia por ele. Mas ele era tão especial que eu tinha medo de magoá-lo, de ferir seu coração tão pequenino. Quando ele acordava de mau-humor nem sequer olhava nos meus olhos para me dar bom dia, gritava de longe como se eu tivesse cometido um crime. Mal sabia o passarinho que meu crime maior era ter aprisionado aquele que havia nascido para ser livre.
Eu bagunço a cama e não faço mais questão de arrumá-la
Jamais esqueço qualquer luz acesa agora
Não sei o que aconteceu, mas uma xícara sumiu da minha prateleira
Chaveei a porta e tranquei todas as janelas,
eu não quero que o passarinho volte.
sábado, 30 de outubro de 2010
Uma gota na tempestade.
Algumas pessoas costumam preocupar-se com aquilo que não lhes diz respeito, questões que para mim já deixaram de ter qualquer tipo de relevância, principalmente no momento. Dar a minha limitada capacidade de prioridades mais um motivo para preocupar-se, dar a minha cabeça mais gente para sufocar. Não é discurso de auto-suficiente e nem discurso chega a ser, são apenas constatações diárias.
Porquê é que eu tenho que ter conceito para tudo? Gosto do fato de ter que aprender. E porque eu sempre tenho que ter brilho nos olhos todas as vezes em que olhar para os lados? Eu posso muito bem estar feliz com uma ou outra dúvida na cabeça. E é realmente assim como estou agora, com algumas preocupações mas, isso não faz de mim menos ou mais feliz, afinal, são as circunstâncias.
Eu que achei que seria difícil viver sozinha, só que foi mais fácil do que pensei. Sem ter que se importar com sentimentos ou ter de agradar uma outra pessoa. Isso não fez de mim forte ou fraca, faz de mim, eu. Com toda essa falta de carinho, grosserias, egoísmos, desatenções (e para alguns imundícies), malícia, angústias, tristezas e muitos receios. Com um sangramento recém-estancado, porém ainda preciso de uma anestesia geral todos os dias para poder começar de novo. E eu não vou parar de tentar, não costumo ser persistente mas, desta vez eu vou até o fim.
Porquê é que eu tenho que ter conceito para tudo? Gosto do fato de ter que aprender. E porque eu sempre tenho que ter brilho nos olhos todas as vezes em que olhar para os lados? Eu posso muito bem estar feliz com uma ou outra dúvida na cabeça. E é realmente assim como estou agora, com algumas preocupações mas, isso não faz de mim menos ou mais feliz, afinal, são as circunstâncias.
Eu que achei que seria difícil viver sozinha, só que foi mais fácil do que pensei. Sem ter que se importar com sentimentos ou ter de agradar uma outra pessoa. Isso não fez de mim forte ou fraca, faz de mim, eu. Com toda essa falta de carinho, grosserias, egoísmos, desatenções (e para alguns imundícies), malícia, angústias, tristezas e muitos receios. Com um sangramento recém-estancado, porém ainda preciso de uma anestesia geral todos os dias para poder começar de novo. E eu não vou parar de tentar, não costumo ser persistente mas, desta vez eu vou até o fim.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Mar à vista.
... e quando parando para pensar, meu estômago revira e dá pulos de alegria, de saudade. Como se tivesse sido ontem, mas já se passou tanto tempo. Como se todas as aves quisessem voar para longe e toda a chuva insistisse em cair em cima da minha cabeça.
Uma pequenina luz acesa, sem forças para que possa brilhar mais e então resplandecer.
O que aconteceu à nossa dor? Virou areia, já levada pelo oceano, como todas as outras alegrias. Mas eu vou viajar, até muito longe, que seja até o fim do mundo, para resgatar pelo menos a minha felicidade, meu único receio, é ter de embarcar.
sábado, 25 de setembro de 2010
O fio sem meada.
A vida é uma metáfora, onde a todo o momento você é usado de exemplo. Eu aprendi a ficar quieta mesmo quando a dor é quase insuportável. Permaneço, malabarizando. Continuo, descontinuadamente disfarçando. É a minha catarse. Eu que costumava ser mais prolixa, perdi o bonde em que as palavras se encontravam. Por agora, desisti de tentar pegá-lo novamente.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
.
Não sei dizer o porque, mas existem tantas coisas em minha cabeça que não sou capaz de diferenciar idéias. Só sei lhe dizer que me encontro sentada sempre embaixo daquele ar-condicionado que faz um barulho muito chato. Não é lá que gosto de me ver, ao lado da janela com os olhos muito fixos sempre em um mesmo ponto. Não é assim que gosto de me sentir. Com um incômodo aperto no peito calado, como se um peso morto estivesse sobre meus braços agora e eu mal pudesse movê-los. O pior momento da vida não é aquele em que é necessário tomar decisões e sim, o pós-decisões, afinal é a temida hora certa. Nunca fui boa quando o assunto é "arrumar as horas", sempre fui uma das melhores em estar atrasada, ou até adiantada e agora me sinto um pouco perdida no tempo. Como se esse não fosse o meu. É tempo de vestibular.
Aqueles mesmos olhos fixos, sempre me lembram alguma coisa que não gosto de lembrar. O fato de estar sempre olhando para o mesmo lugar, repetindo sempre as mesmas coisas, só as pessoas que são um pouco diferentes, mas, nem tanto. Como se tivesse voltado a fita à alguns anos atrás. Tendo sempre as mesmas dúvidas, sentindo sempre a mesma angústia, vivendo o mesmo retrato em preto e branco. Já tentei mudar, tantas vezes já consegui, tantas outras não.
Passe o tempo, chovendo ou não a idéia de família é sempre a mesma. Tenho quase certeza de que no fim vou acabar cedendo, mais não me vejo mais tanto tempo sendo cobaia dos sentimentos de alguém. E se você me perguntar se é assim que eu penso, é exatamente isso. É como num teste, se não der certo, que pena. Não consigo ter esse pensamento mais, não me abre esse horizonte. Posso ser infeliz sim, mais não quero mais ser testada por ninguém. Só que ao mesmo tempo, me sinto péssima por não tê-lo comigo quando quero.
Que soe como um desabafo. Confuso e em certas partes até contraditório. Só não quero mais ficar calada.
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