sábado, 31 de julho de 2010

Solstícios de solidão

Em pensar que não seguia o conselho que sua amiga lhe dava todas as noites.
Em pensar que deixara sua vida de lado por alguns dias, que esquecia-se dela, de vivê-la.
Em pensar que a insanidade batia a sua porta incessantemente, que seus dias contados eram, que seus amigos lhe deixavam.
Em pensar no passado e presente, temeu pelo futuro.
Em pensar na sua rotina, teve medo de quebrá-la.
Em pensar no sol, teve medo de que ele nunca mais brilhasse.
Em pensar na sua vida, teve medo de vivê-la.
Em pensar no medo, fugiu.
Até o dia em que sua fuga, seria outra vida, outra luta, outro amor.

Depois da fuga, veio o refúgio.
Depois da fuga, seus amigos voltaram.
Depois da fuga, reiventou-se.
Depois da fuga, viveu.
Depois da fuga, não sentiu medo.
Depois da fuga, o sol brilhou.
Depois da fuga, o amor brotou.
Depois da fuga, a solidão nunca mais lhe incomodou.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Da ansiedade ao não.

O que acontecia? Passou a gostar daqueles dias nervosos, toda aquela angústia e ansiedade a deixava com um pouco de esperança. Se sentia tão boba. Temia por essa esperança, não queria que acabasse, mas, não via a hora de colocar um fim em tudo isso.


Ele lhe sorrira, ela desviou o olhar. Não queria dar-lhe a chance de ver em seus olhos o sorriso mais feliz do mundo. Até o dia em que seus olhos se encontrariam e, com um simples "Oi" ela apostaria todas as suas fichas. 


O tempo passava e aquele jogo parecia ter chegado ao fim. Ela acreditava ter perdido. Frustrou-se. Mas, ele nunca deixou de olhar para ela. Nem que fosse no canto dos olhos, seu olhar sempre procurava pelo dela. Ela não sabia e também não entendia o que ele estava pensando naquele momento e nem antes dele.


E, acabou descobrindo que um dia ela quis entendê-lo, ela quis tê-lo. Hoje, já não sabia mais o que queria.


(Texto inspirado em um amor que nunca teve forças para existir.)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O tom

O tom da música, o tom do céu, o tom da flor
O tom da dor, da angústia, da solidão
O tom do riso, da amizade, do amor
O tom das cores, dos sabores e disabores.

O tom da felicidade, da alegria
O tom da companhia, da rima
O tom do dia, dos nossos dias
O tom da vida, da nossa vida.

O tom de tudo, o nosso tom
O tom do abraço, do seu laço, seu calor
O tom da sua blusa
O tom da sua voz.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Será que você vai saber?

Será que você vai reparar na cor do meu cabelo? E o meu perfume, você vai sentir? Vai querer que eu sente ao seu lado, vai caminhar comigo? As minhas dúvidas, você vai querer esclarecer?
Será que eu vou poder confiar em você? Falar pra ti todos os meus medos ou problemas. O meu diário, vou poder ler para você? Te contar alguma coisa que eu jamais diria a qualquer outra pessoa?
Será que você vai conseguir me entender? Ler na minha mente aquilo que eu não disse? Diferenciar tudo o que para mim é importante com aquilo que é necessário? Consegui ver que nunca fui boa com as palavras e saber flexibilizá-las?
Será que você vai me fazer sorrir? Vai saber de tudo o que me agrada e querer fazê-lo? Vai me dar a chance me entristecer com alguma coisa ou outra que me acontecer? Será que nós seremos felizes? E quando estiver chovendo, você vai sorrir pra mim?
Será que você vai me amar? E amanhã ou depois? Você vai sentir a minha falta quando estivermos distantes? Você vai todos os dias querer me abraçar forte? Entender que meu sorriso vale muito mais do que qualquer palavra que eu diga?
Será que nossas vidas vão se cruzar? Será que você vai me ver passar? Será que eu te espero ou vou atrás de você? Quando eu te encontrar, será que você vai saber?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O cansaço da falta

"- E quando eu quiser te abraçar, eu vou poder? - Perguntava, temendo pela resposta.
- Até quando você não quiser. Faça do meu abraço a roupa que você mais gosta de vestir."


Já fazia um tempo. Queria aconchego. Queria sossego.
Mais de uma noite mal dormida. Mais uma promessa quebrada. Pelos caminhos que passava procurava os cacos de seu coração que agora, lutava sozinho. Assustado. Sentia medo da sua projeção que era feita pela luz do sol.

Queria um abraço, forte e acolhedor. Estava cansada de esperar, cansada de não ter pressa, de ser sozinha, de tropeçar em seus próprios pés, cansada de sentir cansaço.

Ver no céu ainda cinzento pela chuva, um sol.
Inovar, modificar, reinventar. Era isso o que queria. Era disso que precisava.

Estava cansada de pensar. Precisava agir.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ever (!)

"Seus olhos... ficam ainda mais lindos combinados com a luz do sol"

Sentiu seu rosto corar, não sabia se lhe sorria em troca ou se escondia-se de vergonha.
Era ele a pessoa mais carinhosa nas últimas semanas. Parecia realmente importar-se com ela e, todos os dias ligava preocupado em saber como havia sido o seu dia, se estava bem e se havia pensado nele. Trazia-lhe flores roubadas, faziam coisas que antes pareciam ser impossíveis para ela, enchia seu dia de abraços. Queria estar com ela, queria fazer seu coração bater aceleradamente. No começo confessou assustar-se, simplismente por não estar acostumada com tal cuidado. Mas, quando acostumada sentia-se terrivelmente ansiosa esperando o telefone tocar.

E ali, sentados sob a luz do sol trocaram pares acumulados de palavras. Queria que aquele momento durasse para sempre. Ele mudou seus conceitos sobre tudo. Fez dela amor, abraços e sorrisos.

E o amor? Sabia que podia permitir-se.
E as cores? Seriam flores, perfumes, sabores.
E o rock? Já tocava na vitrola, era para eles trilha sonora.

sábado, 10 de julho de 2010

Mudanças no andar de cima.

Pelo que os fatos apontavam ela terminaria novamente sozinha. Ligava para isso? Tudo acabaria com ambos magoados. Isso importava? Sim, isso importava para ela. Pela primeira vez teve certeza do que não queria. A história se repetia, nos mesmos passos, pelo mesmo caminho.

As palavras, sempre tão repetidas. Os risos, sempre tão falsos. A única coisa que havia mudado era o seu endereço. E de resto... Nem seu carrocho queria mais ver a sua cara. Seus gostos, sabores, cheiros, tudo parecia ter mudado. Mas, havia mesmo mudado ou, era apenas a impressão que ela tinha? Seus erros, sempre corrigidos pelo Word hoje não eram listados. Suas roupas sempre tão irregulares.

O barulho constante do andar de cima ecoava e, a cada minuto parecia piorar. Até quando toda aquela mudança continuaria? Parecia que já durava semanas. Ao olhar apressadamente o relógio assustou-se ao ver que já passavam das 09:30 hrs. Desceu correndo as escadas, novamente atrasada. Mais uma história sem fim estava por começar.


"Quando foi que você mudou tanto?" - Ele perguntava
"Eu não sei... só sei que não me sinto a mesma há algum tempo" - Respondia docemente.