terça-feira, 7 de maio de 2013

until now...

É como se tudo aquilo que antes era dor tivesse acabado bem. Ele é todo assim, destrambelhado, abobado e sem sentido, mas foram essas faltas de noção que fizeram ela ter razão para acreditar nas palavras dele: "Eu escolhi alguém para continuar e quero que seja você! Eu tô cansado de acordar e ficar pensando em porque eu não fiz isso antes, eu não vejo mais motivo para não ter você comigo."Ela riu, virou pro lado e fingiu, mas dentro dela seu sorriso se abriu quando viu o brilho nos olhos dele e ele, sem entender o porque daquele riso, meio sem graça perguntou se ela não queria nada com ele. Ela sorriu, abraçou-o e sussurou: "Eu não sei como aguentei ficar sem você até agora, você não sabe o quanto eu estou feliz!"

terça-feira, 5 de março de 2013

o outuno


a cor, o tom, o movimento
os galhos, as folhas, os sentimentos
o ter, o ver e o não mais caber
não cabe em mim
só cabe assim
perto de mim
enfim,
o sim.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quintaneando

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,

teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!

(Presença - Mário Quintana)

domingo, 13 de janeiro de 2013

Provavelmente,

Noites mal dormidas, nunca eram resultados de boas coisas. Ainda tinha medo dos monstros embaixo da cama ou dentro do guarda-roupas. Provavelmente todos aqueles medos que tinha eram somas do passado, problemas mal resolvidos, portas entre-abertas. Dentre tantas as escolhas, cuidou tanto para que não fizesse a pior e acabou fazendo, ela acabou com tudo em questão de segundos, acabando com mais um sonho: o de fazer o que é certo. Nunca pensou que fosse se importar em ver ele sair por aquela porta, mas confessou ao seu diário que isso lhe afligiu. Teve vontade de chorar, de correr, de fugir, de fechar os olhos. Diante de todo aquele tumulto, nada disso conseguiu fazer, esqueceu-se até de olhar para trás, pois ela provavelmente não se importa mais.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Verão, carinho e coração.

Haviam tantos quadros expostos naquela sala, mostravam toda a vida mísera que levara até aquele dia cinzento. Porém, havia na sala ao lado quadros tão coloridos que nem pareciam ser seus, com cores tão vivas que nem pareciam pertencer a sua paleta. Tantos sorrisos, tanta paixão naquelas molduras. Desde quando aquele sorriso era seu? Lembrou-se de alguém chegando, camisa branca, calça jeans, um tênis bonito e um sorriso esplêndido. Foi assim, dessa forma calma e tão perturbadora que ele tinha ganhado o coração daquela menina. Fazia dela carinho e dele coração. Se ainda não sabia ainda o que fazer, descobriu no momento em que viu aqueles quadros. Sabia agora para onde e com quem ir, o verão tinha chegado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sobras



Tanta poeira em nossos sapatos, se acumulando cada dia mais, nossos pés se esconderam debaixo de tanto pó. Nos prendemos a essa condição, nos acomodamos em viver assim, um passo mais largo parecia ousado, um abraço mais apertado parecia pecado. Acontece que para nós tempo sempre foi de sobra, assim como sempre sobraram tantos espaços vazios, ainda sobram tantas dúvidas. Sobras de bons momentos que vivemos, passaram e acabaram. Alguns tons desbotam, uns permanecem os mesmos, outros só ficam mais vivos. Ainda não descobri qual é a nossa cor, mas temos tanto o que descobrir, que já não tenho pressa.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ah! se eu pudesse voltar

Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos

E me pergunte: "O que será do nosso amor?"
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças

E eu te pergunto: "O que será do nosso amor?"
Ah! se eu pudesse voltar atrás
Ah! se eu pudesse voltar



[Mapa-Múndi - Thiago Pethit]